Participação. Por que falar nisso?

Imagine um país onde os jovens frequentam escolas de qualidade e se quiserem podem escolher um trabalho digno para ganhar a vida. Por lá, os jovens podem sair para se divertir e fazer cultura com a garantia de que voltarão inteiros para casa. Se um jovem chegar em um posto de saúde desse país, tem gente que escuta o que ele fala e fala o que ele entende.

Imagine um país onde os jovens podem pensar no futuro como um projeto, e não como uma fantasia ou um pesadelo.

Será que é sonhar demais? Não deveria. Está escrito na Constituição: todo jovem tem direito a tudo isso. Acontece que a distância entre o papel e a realidade ainda é enorme. E para diminuir esta distância a participação juvenil é fundamental.

Os direitos da juventude não sairão do papel sem políticas governamentais de qualidade. As políticas de qualidade não existirão se os jovens não fizerem pressão. E os jovens não irão fazer pressão se não participarem e se organizarem.

A boa notícia é que, apesar de ser uma minoria, existem jovens dispostos a arregaçar as mangas para melhorar a própria vida e a vida de outras pessoas. A juventude não é uma massa alienada e despolitizada como se costuma dizer por aí. Para cada jovem engajado que vive hoje no país existem outros dez querendo fazer alguma coisa boa pela sua comunidade.

Já pensou se de Norte a Sul do Brasil esses jovens se organizassem e fossem para as ruas para construir um país melhor para todos? Ia fazer muita diferença, não?

Acontece que em geral os jovens não são vistos desse jeito. A imagem da juventude costuma estar associada mais aos problemas do que às soluções. Os jovens das propagandas, estereótipo da alienação e do consumismo, brilham todos os dias nas telas de TV, nos intervalos comerciais. No outro extremo, com freqüência, os jovens que matam ou morrem são manchete de jornal.

Deixar de ver o jovem como problema e passar a vê-lo como sujeito de direitos, dando oportunidades para que ele possa desenvolver seu potencial e participar da construção de um país melhor para todos: este é um desafio fundamental para a consolidação de uma verdadeira democracia no Brasil.

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